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Fazendo tudo pra Jesus gostar de mim PDF Imprimir E-mail
Seg, 12 de Setembro de 2011 16:17

Recentemente terminei de ler o livro Decepcionados com a Graça, de autoria do pastor Paulo Romeiro. No livro ele trata das questões intrigantes que ocorrem nas igrejas Neopentecostais e que levam muitos a se decepcionarem com a fé supostamente cristã propostas por elas.

Mas um outro algo, também me chamou a atenção no livro. Quando o autor cita um corinho que ouviu, no início de sua conversão, muitas crianças cantaram e muitos adultos se juntavam a elas. O corinho dizia:

“Fazendo tudo pra Jesus gostar de mim,

Fazendo tudo pra Jesus gostar de mim,

Eu quero ser fiel até o fim,

Fazendo tudo pra Jesus gostar de mim”[¹].

Obviamente, o autor rechaça esse pensamento transmitido por esse corinho, pena que essa não seja a realidade no meio cristão de forma geral.

 

Desde infância, as crianças, mesmo sendo de forma inconsciente são ensinadas assim. Frases do tipo: não faz isso porque papai do céu não gosta, é comum se ouvir dos lábios de muitos pais, que pensam dessa forma estarem educando bem os seus filhos. Precisamos ter cuidado, porque a crença popular sempre gira em torno desse, “Fazendo tudo pra Jesus gostar de mim”.

Infelizmente nas igrejas, é comum ouvirmos esse tipo de ensinamento. Muitos acreditam que quanto mais ativos formos nas atividades, mais Jesus gostará de nós. Há outros que fazem um moralismo em torno da fé cristã e acham que assim também é possível Jesus gostar da gente ao menos um pouquinho. Ou então, aqueles que acreditam que através das suas longas preces, sacrifícios de jejuns, freqüências nos cultos, mais e mais, fará-nos um pouco mais "atraentes" para Jesus.

Essa ideologia não somente adoece e decepciona a fé, mas também fecha o Reino de Deus para que outros não entrem. Lembremos que uma das censuras que Jesus fez aos fariseus de sua época, que foi: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (Mt 23.13).

Quantas pessoas há que vivem nessa busca por Jesus de fazer tudo para Jesus gostar deles. Vivem num abismo sem fim, achando que nunca serão amados por Deus, afinal, nossos padrões de moralidade, espiritualidade, sacrifícios, estão bem longe de tornar-nos mais queridos de Deus. Por isso, que a religiosidade de hoje consegue no lugar de fazer discípulos, fazer reféns. Isso mesmo, reféns de ideologias que seguem o que disse o profeta Isaias: “Por isso o Senhor lhes dirá: Ordem sobre ordem, ordem sobre ordem, regra e mais regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali, para que saiam, caiam de costas, firam-se, fiquem presos no laço e sejam capturados” (Is 28.13).

Não quero com isso, defender a imoralidade, nem ao menos fazer apologia a libertinagem, mas o que quero dizer é que Jesus, nem ao menos gosta de nós pelo que fazemos, pelo contrário, Ele nos ama, porque Ele quis nos amar.

João, o apóstolo do amor já disse a respeito desse amor: “Nós o amamos, porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4.19). Não havia e não há nada em nós que possa fazê-lo amar-nos mais, porém, mesmo assim, Ele nos ama com um amor incondicional. E não somente a nós que de alguma forma conhecemos em parte esse amor. Ama também quem não o conhece e quem está longe das rédeas religiosa. O amor de Jesus, é o amor do Bom Samaritano, que abraça o que está caído ao caminho, mesmo que o sacerdote, o pastor, o padre, o levita ou o ministro de louvor o ignore (Lc 10.25-37). O amor de Jesus, é o amor que aceita o pouco que dado com sinceridade (Mt 26.13). O amor de Jesus aceita o inaceitável, e recebe o irrecebível.

Por isso, hoje podemos andar na liberdade do Amado de nossas vidas, que nos ama a despeito de nossas inadequações e inclinações. Nada que fazemos, será para Ele nos amar mais, mas sim, porque somos amados Dele e queremos viver em novidade de vida. Não em busca alucinante e descomedida, mas uma vida de cada dia confiando no amor do Salvador que nos ama e nos quer bem. Não somente a nós, mas as crianças do Darfur, de Angola, da Índia, de toda Ásia, do Congo, do nordeste brasileiro, do mundo. Ama também o leigo, o intelectual, o mendigo, a mulher desprezada em seu lar, na sociedade, ama o que é diferente.

Quando entendemos que não adianta, “Fazer Tudo pra Jesus gostar de mim”, vamos caminhar mais leves, seremos mais relacionáveis e tolerantes com intoleráveis e permitiremos sermos alcançados por esse amor que tira o medo de não sermos aceitos, mas que nos aceita como somos, como disse João: “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (I Jo 4.18).

Ordem e ordem; regra e regra, são para aqueles que não estão aperfeiçoados em amor, porque Deus nos chama para um relacionamento em amor, mas o amor que parte Dele para nós. Como disse Colin S. Smith:

"Você nunca estará pronto para abraçar a Deus completamente até que esteja convencido de que Ele é bom. Você pode submeter-se pela força natural, mas jamais amará pela força natural. Por essa razão é tão importante que Deus o convide a um relacionamento de amor"[²].

Esqueça as regras e os falsos ensinos que lhe distanciam de Jesus Cristo e olhe para o Seu sacrifício vicário na cruz, de onde emana todo o perdão e a graça que nos aceita para sermos seus e que nos abraça na sua ressurreição.

“Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades, o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas, fomos curados” (Is 53.5).

Paz seja convosco!

André Santos

[1].ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça: esperanças e frustrações no Brasil Pentecostal. São Paulo – Sp, Editora Mundo Cristão, 2005. p. 171.
[2]. SMITH S., Colin. As Dez maiores lutas de sua vida. São Paulo – Editora Vida, 2006, p. 19

Última atualização em Dom, 25 de Setembro de 2011 16:29
 

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