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O legalismo e seus desdobramentos PDF Imprimir E-mail
Ter, 16 de Agosto de 2011 23:22

BalanaUma das coisas mais difíceis que existem na caminhada cristã e tenho descoberto no decorrer dos anos, é deixar de ser legalista. Não é do dia para a noite que uma pessoa deixa para trás antigas formas de pensar e agir que lhes foram inculcadas durante anos.

Na prática, todos guardam um pouquinho de legalismo e tem dificuldades extremas de livrar-se de tais pensamentos e atitudes que os tornam legalista. Mas o que é legalismo?
Segundo C.J. Mahaney, legalismo é “...quando alicerçamos o relacionamento com Deus em nosso desempenho[...]legalismo é pretender alcançar o perdão de Deus e sua aceitação por meio da obediência a ele”.[1]

No Dicionário Teológico da CPAD, Claudionor de Andrade, define o legalismo como: “Tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias, praticas e obrigações eclesiásticas”.[2]

O legalismo é um sério mal que se aloja na vida de muitas pessoas quesão criados ou convertidos em seguimentos religiosos opressores e, não conseguem enxergar além das estruturas manipuladoras em que foram gerados. O legalismo é um mal que precisa ser erradicado pela graça e pela misericórdia de Deus.

Não são poucas pessoas que se vêem presas por armadilhas tenebrosas e laços que os impedem de viver uma vida plena, com liberdade diante de Deus e da sociedade em que vivem, pois a grande maioria dos oprimidos são reféns de um sistema de leis e regras que nascem dos ideais autoritários, arbitrários e manipulador, e não do Espírito de Deus.

O apóstolo Paulo teve que intervir na igreja de Gálatas com um discurso veementemente contundente. Aqueles nobres irmãos tornaram-se insensatos (Gl 3.1), porque depois de ouvirem o Evangelho de Cristo, preferiram dar ouvidos a homens que os induziam a um “outro” evangelho, um evangelho falso misturado com a lei, que no lugar de gerar vida, gerava morte. No capítulo 3 da epístola, Paulo é taxativo, ele não trata do assunto de forma amena, pelo contrário, ele escreve dizendo: “Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo expostos crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sóis assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?” (Gl 3.1-3).

As palavras do apóstolo expressam a indignação em lidar com um assunto que deveria ter sido muito bem absorvido pelos crentes de gálatas. Porém, o Evangelho de Cristo estava agora ocupando um segundo plano, sendo posto de lado pelos amantes das regras.

É um grande perigo quando o Evangelho é subjugado a práticas de preceitos e regras religiosas, e passa a figurar em um lugar menos elevado na fé cristã, pois o grande mal do legalismo é achar que as suas obras são “o suficiente” para salvar-se a si mesmo, anulando assim, o sacrifício da cruz de Cristo e desprezando a graça de Deus, esquecendo-se assim o que o apóstolo Paulo escreveu aos irmãos de Éfeso dizendo: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

O próprio Senhor Jesus Cristo, repreendeu os religiosos fariseus de sua época por suas atitudes próprias de legalismo fantasiado de piedade. Chamou-os de hipócritas e afirmou dizendo: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando” (Mt 23.13).

O legalismo traz consigo sérias conseqüências e desdobramentos difíceis de serem revertidos. Muitas igrejas consideram importantes as atitudes legalistas, pois permitem que os membros controlem uns aos outros pelas atitudes exteriores, apresentando personagem que em torno de um grande publico até encanta, mas por detrás das cortinas, causa perplexidade. Esquecemos às vezes, que o coração humano, homem nenhum, pode legislar (Jr 17.9), e que na maioria das vezes, por detrás de atitudes legalistas, esconde-se ódio, competitividade, vaidades, invejas, pré-conceitos raciais, injustiça social, mentiras, manipulações religiosas e tantas outras coisas que estão alojadas nos porões da alma.

O grande problema do legalismo é que ele gera vítimas, vítimas de um sistema esmagador e falto de misericórdia. Um sistema que no lugar de chamar a liberdade, nos chama a escravidão das regras e nos distância do amor de Deus. Nos torna dependentes das nossas boas obras, revestida pelo verniz da hipocrisia e da comparação com o próximo, que nos faz sentir melhor, quando pensamos que encontramos alguém que está “pior” que a gente.

Existem pessoas que tentaram sair de sistemas legalistas e não obtiveram sucesso. Alguns vivem desorientados, sem participar de comunidade alguma, não conseguindo se encaixar em lugar algum, amaldiçoando a tudo e todos, e dizendo que preferem viver sem fazer parte de qualquer igreja. Muitos também optam em se “esconder” nas grandes comunidades, onde quase que passam desapercebidos, se não fosse pelo descontentamento e crítica a maneira da igreja seguir, que de modo óbvio, não se encaixa na sua lógica legalista. Já outros, continuam sendo prisioneiros do sistema, mesmo estando longe de uma comunidade de fé, não se aceitando, não querendo fazer parte, porque acham que é “melhor seguir sem rumo, do que ser cristão de qualquer maneira”. Foram contaminados e não conseguem voltar.

Na verdade, por trás dessa fachada, esconde-se alguém, carente do verdadeiro amor de Deus e de pessoas sinceras, mas que ainda, não entendeu nenhum dos vislumbres da graça, apenas, a respeito da lei. Vivem desconfiando de todos e achando que todos são indignos por não se enquadrarem em suas maneiras de pensar, como escreve Brennan Manning: “Numa religião legalista, a tendência é desconfiar de Deus, desconfiar dos outros e, conseqüentemente, desconfiar de nós mesmos”.

O legalismo nos ensina a julgar sem amor, sem perdão, sem discernimento ou justiça. O legalismo nos embrutece e tenta nos fazer crer que o Deus da Bíblia se encaixa em nossos moldes de divindade, que avaliam homens e mulheres segundo os padrões de perfeição desse mundo, não segundo Cristo. O pastor e escritor Ricardo Gondim, escreve no livro É Proibido que muitas pessoas confundem santidade com o fato de ir deixando para trás algumas coisas que antes praticavam e assim afirmam serem santos, então, ele escreve dizendo: “...Se for assim haverá sempre o perigo das pessoas dizerem: Pronto, deixei isso- e agora? Sou santo? Não! Você é religiosamente bem trabalhado, mas não santo...”[3].

O Deus da Bíblia é o Pai amoroso que dá a vida de seu filho para nos libertar da escravidão da lei, do mundo e dos processos de destruição que nós também alimentamos, afinal, já afirma o apóstolo Tiago: “Pois qualquer que guarda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10).O legalismo opõem-se contra a verdadeira liberdade cristã, proposta por Jesus de Nazaré. A libertação das estruturas de opressão e maldade desse mundo cruel e impiedoso. Em uma sociedade sobrecarregada, a igreja precisa apresentar Jesus e não lançar fardos e mais peso sobre aqueles que estão cambaleando com suas culpas e desacertos.

O convite de Jesus ainda é: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.28,29).

É triste ver pessoas, alguns colocando mais jugos e outros recebendo em um processo de morte sem precedentes, sem perceber os desdobramentos que isso pode gerar. Em sua maioria gerando cristãos fracos e castos de amor.

Se alguém procura uma igreja, é um sinal que querem ser transformadas, mas só o poderão, quando forem apresentadas ao Cristo descrito no Evangelho. O Evangelho de Jesus transforma por si só, e aquilo que realmente precisa ser transformado. Regras e normas nos moldam com características de religiosos, nos torna tão hipócrita quanto os fariseus, aos quais disse Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança” (Mt 23.25).

Não precisa nascer outra igreja, ela já está ai, pintando as cores reais do Reino de Deus no mundo, oferecendo a mão ao caído, o abraço e acolhimento ao desamparado e aflito, ajuda espiritual aos que querem deixar a vida insensata e precisa de um norte, um Caminho a seguir. Um porto seguro onde os fracassados, derrotados, marginalizados, rejeitados e oprimidos possam se ancorar.

O legalismo só pode ser aniquilado quando estivermos dispostos a fazê-lo com a arma mais contrária a ele, o amor. Esse amor revelado na cruz através de Jesus! O único que é capaz de nos constranger. Philip Yancey disse: “A igreja é um farol da graça ao resto do mundo, não uma fortaleza de legalismo”. [4]

Assuma compromissos que gere vida e não morte, abandonando todo processo que destrua o outro e rejeite o próximo em nome da religião.

Paz seja convosco!

André Santos

[1]. MAHANEY, C.J. O Segredo da vida ao pé da cruz, Editora Vida, 2002. p. 27 e 30.
[2]. ANDRADE, Claudionor de, Dicionário Teológico. Editora CPAD, 2002, p. 203.
[3]. GONDIM, Ricardo. É Proibido. Editora Mundo Cristão, p.171.
[4]. YANCEY, Philip. Igreja, Por que me importar? Editora Vida Nova, 2006, p. 63

Última atualização em Sex, 19 de Agosto de 2011 21:05
 

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